
Única dona dos direitos de transmissão de todos os jogos da Copa do Mundo 2026, a CazéTV enfrenta um dilema. Apesar de ela ser conhecida pelo estilo irreverente e alternativo de exibir o futebol, os fãs do esporte, ainda habituados com o padrão Globo de qualidade, têm estranhado a maneira de comunicar do canal. O Mundial da América do Norte impõe uma escolha para Casimiro Miguel e companhia: controlar a resenha ou reafirmar o seu estilo?
Esta não é a primeira Copa que a CazéTV transmite. Em 2022, o canal se tornou um fenômeno, mesmo com apenas 32 jogos no portfólio, e viralizou pelas piadas no ar e pela presença de influenciadores como Diogo Defante.
Mas, na Copa do Catar, quase todos os jogos podiam ser vistos na TV aberta, fato que consolidou a CazéTV como uma opção “indie” de ver futebol na época. Com ar de novidade, o canal foi comendo pelas beiradas e abocanhando direitos de transmissão. De 2022 até 2026, o cardápio consolidou competições do nível mais alto do esporte, como o Brasileirão, La Liga, Premier League e até os Jogos Olímpicos de 2024.
No caminho, porém, nem tudo foram flores. Em 2023, na transmissão dos Jogos Pan-Americanos, a CazéTV promoveu “super lives” em tom descontraído para abordar os esportes diversos. Foi detonada pelo excesso de humor e pela falta de informação. No meio da competição, precisou reforçar o time de comentaristas técnicos por conta da repercussão negativa.
Agora, mesmo nos jogos de futebol, é raro que a CazéTV escale apenas amigos de Casimiro ou humoristas para uma transmissão. Desde o Pan, é notável que há, pelo menos, um comentarista de perfil técnico por partida.
E para 2026?
Hegemônica nos direitos, a CazéTV virou o destino de quem deseja acompanhar a Copa do Mundo por inteiro. Embora o canal não seja mais uma novidade, o maior torneio do futebol ainda catapulta a sua visibilidade.
Após anos se formando como uma “exibidora alternativa” e com um novo jeito de fazer televisão na internet, o canal de Casimiro Miguel foi de pedra para vidraça entre um Mundial e o outro.
Nas redes sociais, é impossível escapar de comentários negativos ao jeito CazéTV de transmitir a Copa do Mundo. As principais críticas giram em torno do tom divertido demais, do react dos jornalistas e do excesso de linguagem oriunda da internet. Mesmos apontamentos que são feitos para a Ge TV, por exemplo, que foi criada pela Globo para rivalizar com o projeto da LiveMode.
Porém, é possível notar que há duas CazéTVs no ar durante a competição. Nos jogos em que o canal não divide a audiência com a Globo e com o SBT, o time de transmissão reúne nomes mais técnicos e com experiência no jornalismo esportivo tradicional.
Nos jogos exclusivos da Cazé, o comentarista tem sido Rafael Oliveira, ex-ESPN e Esporte Interativo com perfil CDF da bola. Para equilibrar a linguagem jovem e a galhofa, o canal aposta em uma cria do jornalismo tradicional para equilibrar e não afugentar o público.
Mesmo nas partidas em que divide audiência com o Grupo Globo ou com o SBT, a CazéTV alcança picos de audiência, com gente que parece não se importar com o delay ou com a resenha em excesso.
Vale lembrar que, até o final da Copa, o canal ainda terá jogos de grande repercussão com transmissão exclusiva, incluindo uma semifinal. Resta saber se Casimiro Miguel vai se dobrar para o clássico ou vai reafirmar o seu estilo “zoeiro” para o grande público até o final.
