Luis Felipe Gonçalves
Treinador elogia resposta da seleção no Maracanã, destaca atuação dos reservas e mantém aberta a disputa por vagas antes de estreia
A goleada por 6 a 2 sobre o Panamá deixou Carlo Ancelotti satisfeito, mas longe de acomodado. Após a despedida da seleção brasileira do país antes da Copa do Mundo, o treinador italiano avaliou positivamente a atuação no Maracanã, destacou o impacto da vitória na confiança do grupo e admitiu que o desempenho apresentado, principalmente no segundo tempo, abriu novas possibilidades para a montagem da equipe.
Segundo Ancelotti, a atmosfera criada pela torcida e a resposta dos jogadores deram ao Brasil um impulso importante para a reta final de preparação rumo ao Mundial.
“Foi uma noite muito bonita. Temos que agradecer à torcida pelo ambiente que criou. Foi uma injeção formidável de confiança para todos nós. Começamos esse trabalho com boa atitude e compromisso, mas isso não basta. Precisamos ser fortes, resilientes e manter esse nível todos os dias para terminar bem”, afirmou.
Apesar do placar elástico, o treinador evitou empolgação excessiva. Para ele, o primeiro tempo apresentou aspectos positivos, mas também revelou pontos que ainda precisam ser corrigidos.
Reservas acirram disputa
A grande diferença de rendimento entre as duas etapas chamou a atenção do comandante. Depois de promover dez mudanças no intervalo, Ancelotti viu a seleção ganhar intensidade e transformar um jogo equilibrado em goleada.
O desempenho dos reservas foi tão positivo que o técnico admitiu ter encerrado a noite com mais dúvidas do que certezas.
“A segunda parte foi muito importante. Os jogadores que entraram mostraram qualidade e provaram que podem competir por espaço. Claro que também precisamos considerar que o adversário diminuiu a intensidade, mas o jogo me trouxe dúvidas positivas. E isso é muito bom para um treinador”, explicou.
Ancelotti revelou que não descarta alterações na equipe titular, nem mesmo mudanças na estrutura tática utilizada até aqui.
“Passa pela minha cabeça mudar a equipe, mudar a estratégia. O que aconteceu no segundo tempo abre novas possibilidades. Quando você tem dúvidas positivas, significa que os jogadores estão respondendo bem.”
Escalação indefinida
Embora a estreia na Copa do Mundo esteja cada vez mais próxima, o italiano garantiu que ainda não bateu o martelo sobre os 11 titulares que enfrentarão o Marrocos no dia 13 de junho.
Além disso, lembrou que parte do grupo ainda nem se apresentou. Marquinhos, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, por exemplo, chegarão apenas nos Estados Unidos após compromissos na final da Champions League.
“Definido 100%, não está. Ainda faltam jogadores importantes se juntarem ao grupo. Temos treinos pela frente, mais um amistoso e tempo para avaliar a condição física de todos. Vamos decidir com calma.”
Com bom humor, o treinador arrancou risos ao garantir que uma única decisão já foi tomada.
“De uma coisa eu tenho certeza: serão 11 jogadores em campo na estreia.”
Elogios para Paquetá e nova geração
Entre os destaques da partida, Lucas Paquetá recebeu elogios especiais. Autor de um gol e uma assistência, o meia foi apontado por Ancelotti como um dos melhores jogadores em campo.
“O nível do Paquetá foi muito alto. Ele teve qualidade na posse de bola, ajudou na marcação, participou ofensivamente e entendeu perfeitamente o que pedimos.”
Ancelotti ainda falou sobre como poderia usar o meia e brincou sobre “assunto Neymar”.
“Como disse, se coloco Paquetá à frente na esquerda, sei que não pode jogar como um extremo. Mas no aspecto defensivo pode fechar na lateral. Até a Copa, quero criar um pouco de suspense, porque se não, não temos o que falar. É uma ajuda a vocês. Acabou o tema Neymar, então esse é um bom tema para estar atento.”
O técnico também voltou a destacar a força da nova geração brasileira. Nomes como Rayan, Endrick e Estêvão foram citados como exemplos de um futuro promissor para a seleção.
“Temos uma mistura muito boa entre experiência, juventude e entusiasmo. Quando vejo jogadores como Rayan, Endrick e Estêvão, fico ainda mais confiante sobre o futuro da seleção brasileira, por isso assinei contrato por quatro anos”, encerrou Ancelotti, bem-humorado.
A delegação brasileira embarca nesta segunda-feira para os Estados Unidos. Antes da estreia na Copa do Mundo, a equipe ainda enfrenta o Egito, em Cleveland, no último amistoso de preparação para o Mundial.
