Matéria de Lenilson Silva
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Repentinamente, a relação entre a Câmara de Vereadores e a Prefeitura do Conde fragmentou-se e ganhou um novo formato. O tom mais crítico adotado por alguns parlamentares levou muita gente no Conde a se perguntar o que teria provocado essa rebelião política contra a gestão do prefeito Anísio Oliveira?
Nos bastidores, circulam diversas especulações. Uma das versões mais comentadas envolve a disputa em torno do apoio político a deputados que deverão disputar as eleições em outubro.
Segundo relatos que circulam nos bastidores, o irmão do prefeito, Paulo Madeirol, teria buscado consolidar apoio irrestrito dos vereadores a um determinado deputado escolhido por ele para receber votos no município. Essa indicação, contudo, teria encontrado resistência. Visto que os vereadores já vinham apoiando um candidato.
Já há algum tempo, uma parte dos vereadores tem divulgado, abertamente, que já estariam alinhados com Gildo Baleia, candidato a deputado estadual e considerado um nome com forte influência na área da saúde com clínicas na capital baiana e na região metropolitana de Salvador.
O apoio à Gildo Baleia facilitaria o programa de atendimento paralelo implementado por alguns vereadores: a parceria auxiliaria no acesso a consultas, exames e procedimentos médicos em cidades vizinhas que acabam sendo utilizadas por vereadores dentro de programas informais de assistência à população.
Comenta-se que, diante desse apoio já firmado com o candidato Gildo Baleia não seria possível apoiar outro nome a deputado. Nesse sentido, portanto, o irmão do prefeito, insatisfeito diante da recusa dos vereadores, teria estabelecido um conjunto de retaliações, uma delas teria sido a demissão de pessoas indicadas pelos vereadores e que ocupavam funções na estrutura administrativa da prefeitura.
A determinação teria sido clara: exonerar auxiliares e funcionários ligados aos vereadores que não estariam alinhados com a estratégia política defendida pelo grupo do prefeito.
Ou seja, essa atitude acabou gerando um desconforto, generalizado e causando uma rebelião declarada dos vereadores que se iniciou no plenário, na sessão da semana passada, e que vem se ampliando ao longo da semana, inclusive, com vídeos publicados nas redes sociais.
Ao que parece, agora, os vereadores estariam dispostos a revelar todos os problemas, deficiências operacionais, legais, e administrativos da gestão do prefeito Anísio Oliveira envolvendo quase todas as Secretarias: gastos, contratos, acordos violados, leis não aprovadas entre outros fatos que teriam sido acobertados por eles ao longo do tempo.
Apesar dos comentários e especulações os quais são apontados como os principais motivos para essa revolta, há quem diga que essa insurgência, repentina, não teria nada a ver com discordância política ou disputa por mais espaço dentro da gestão do prefeito, ao contrário, essa ação simbolizaria uma insatisfação natural com a forma que o Conde vem sendo administrado.
De qualquer modo, nos bastidores os comentários são os mais variados, as opiniões caminham em várias direções. Nesse momento, é preciso observar e processar melhor os acontecimentos para se chegar à uma conclusão definitiva de quais teriam sido, efetivamente, as motivações para essa insatisfação, generalizada, dos vereadores.
Na sessão, prevista para se realizar, hoje, teremos mais elementos que podem clarear a mente da população sobre os reais motivos dessa rebelião que, pelo seu ineditismo, tem surpreendido todos os condenses tendo em vista que jamais se registrou na historia do parlamento condense os vereadores em quase sua totalidade se manifestando e caminhando na mesma direção.
