Plinio Teodoro
Em meio aos vazamentos seletivos divulgados pela mídia liberal, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a pedidos dos advogados de Daniel Vorcaro e abriu uma exceção para que conversem com o banqueiro na cela da Penitenciária Federal de Brasília sem gravações de áudio ou vídeo.
“O estabelecimentos penais federais de segurança máxima deverão dispor de monitoramento de áudio e vídeo no parlatório e nas áreas comuns, para fins de preservação da ordem interna e da segurança pública. Nada obstante, o mesmo dispositivo legal excetua expressamente o uso do referido monitoramento durante o atendimento advocatício, salvo se houver expressa autorização judicial em sentido contrário”, diz o ministro em sua decisão, divulgada na noite desta segunda-feira (9).
Na prática, Mendonça permitiu que Vorcaro trate com seus advogados de um acordo de delação premiada sem que a informação seja gravada – e possivelmente vazada.
Principal beneficiada pelos vazamentos seletivos, que remonta ao cenário da Lava Jato durante o golpe contra Dilma Rousseff em 2016, a Globo já sinalizou que quer que a delação seja negociada diretamente com a Polícia Federal – provável fonte das informações vazadas ao grupo de mídia – e não com a Procuradoria-Geral da República (PGR), como deve é feito comumente.
Em nota de cinco linhas, que estampou a manchete do jornal O Globo no domingo (8), o colunista Lauro Jardim – que aparece sendo ameaçado por Vorcaro nas mensagens tornadas públicas na última semana – afirma que o banqueiro “passou a considerar a sério uma delação premiada” e ventila que “a ideia é que a colaboração seja feita com a PF — e não com a PGR, onde a avaliação é que haja menos espaço para que seja aceita”.
O aval ao pedido dos advogados de Vorcaro fortalece Mendonça na centralização das informações. Antes da prisão, o ministro “terrivelmente evangélico” já havia atendido outros requerimentos da defesa, que blindou o banqueiro de comparecer no Congresso para cumprir requerimentos de convocação na CPMI do INSS e no Conselho de Assuntos Econômicos, o CAE, do Senado.
Reunião com Fachin
Nesta segunda-feira (9), o presidente do STF, Edson Fachin, se reuniu com Mendonça para tratar do andamento do caso Master e teria afirmado que tudo deve ser investigado, “doa a quem doer”.
Fachin também se reuniu com outros ministros, como Alexandre de Moraes, para tratar do caso e dos vazamentos seletivos que têm sido usados pela mídia liberal, em especial pel’O Globo, para direcionar ataques ao Supremo.
