PF pediu: Mendonça autoriza quebra de sigilo de Lulinha minutos antes de decisão na CPMI

Política

Por Henrique Rodrigues

Em um movimento que incendiou os bastidores de Brasília nesta quinta-feira (26), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A decisão, embora atenda a um pedido da Polícia Federal (PF), chama a atenção pela estranha coincidência temporal: o despacho foi assinado apenas minutos antes de a CPMI do INSS aprovar medida idêntica no Congresso Nacional.

A sincronia entre o Judiciário e o Legislativo levanta questionamentos sobre as reais intenções por trás da celeridade de Mendonça, magistrado indicado por Jair Bolsonaro e publicamente alinhado a pautas extremistas do ex-presidente condenado e preso. No cenário político, a leitura é de que a decisão busca conferir uma “aura de legalidade” e urgência a uma narrativa que, até o momento, carece de provas materiais contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Investigado ou alvo colateral?

É fundamental destacar que, conforme os próprios documentos da Polícia Federal indicam, Lulinha nunca figurou efetivamente como um investigado ou suspeito direto no inquérito que apura desvios em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. O nome de Fábio Luís aparece de forma tangencial, citado por terceiros em conversas que a própria PF admite precisarem de “verificação rigorosa” para evitar “conclusões precipitadas”.

Mesmo sem elementos que comprovem participação direta nos fatos, Mendonça optou por abrir os dados sigilosos de Lulinha, alimentando uma máquina de desgaste político. O suposto elo seria a empresária Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, que teria conexões com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Entretanto, os investigadores sustentam que as menções a Fábio Luís são indiretas e baseadas em relatos de terceiros sobre possíveis apoios a projetos empresariais.

Suspeita de uso político e difamatório

A decisão de André Mendonça, ao ocorrer simultaneamente à movimentação da CPMI, sugere uma tentativa de fustigar o governo federal através da figura de Lulinha. Vale reiterar: não há, até o momento, qualquer indício de crime cometido pelo filho do presidente que justifique tamanha exposição, a não ser a conveniência política de manter o sobrenome “Lula” associado a manchetes policiais.

O próprio relatório da PF, em trecho obtido pela reportagem, reconhece o risco da polarização, afirmando que a instituição entregará a verdade dos fatos livre de interferências externas ou narrativas políticas, assegurando que nenhuma injustiça seja cometida diante do cenário atual do país.

Analisando os documentos que embasam a medida, fica clara a ausência de provas substanciais, uma vez que o relatório da própria Polícia Federal admite que não existem elementos de participação direta de Lulinha no suposto esquema até o momento. Os vínculos apontados são meramente indiretos, partindo de conversas de terceiros sobre fomentos empresariais, sem qualquer comprovação de repasse financeiro ou gestão compartilhada que configura ilegalidade. Fica evidente que o timing político foi o fator determinante, já que a decisão de Mendonça “atropelou” o rito legislativo, garantindo que a quebra de sigilo tivesse o selo da Suprema Corte antes mesmo do voto dos parlamentares na comissão.

O caso agora segue sob sigilo, mas o estrago político parece ser o objetivo principal de uma medida que, juridicamente, se baseia em suposições frágeis e em um histórico de perseguição familiar já conhecido pela política brasileira.

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